Agência Mosaico lança pesquisa ao lado da YOUPIX para dar voz a criadoras de conteúdo lésbicas e fornecer dados para o mercado
Mosaico, agência especializada em Marketing de Influência com foco na Diversidade, realizou a primeira pesquisa direcionada aos influenciadores LGBTQIA+ do Brasil em 2020. No ano seguinte, a agência focou no perfil de creators trans. As pesquisas evidenciaram para as marcas como as ativações e projetos envolvendo a comunidade LGBTQIA + devem ir além de épocas sazonais.
A Pesquisa de 2020, apontou, por exemplo, que 33,3% das criadoras lésbicas não recebem qualquer tipo de remuneração pelo trabalho de creator, enquanto para os homens cis gays esse número diminui para 9,3%. Esses dados mostram como existe uma desigualdade na busca por creators lésbicas mesmo dentro da comunidade.
Dessa vez, a agência, ao lado da YOUPIX, uma das mais respeitadas empresas de consultoria de influência da América Latina, busca por mais informações sobre a presença da comunidade lésbica no mercado de influência brasileiro. “Somos lésbicas (LGBTs) o ano todo. Precisamos pagar boletos o ano todo e não só em junho. Meu público consome e escuta minhas recomendações e dicas em todos os meses do ano. Gostaria que junho e agosto fossem meses que conseguisse juntar uma grana a mais pra então pelo menos compensar esse silêncio que infelizmente tende a nos acompanhar nos outros meses” disse, Yas Campbell criadora de conteúdo e uma das consultoras da pesquisa.
Por isso, a proposta final desta nova pesquisa é ouvir essas creators e dar uma dimensão das influenciadoras lésbicas, fornecendo informações que auxiliem ainda mais na profissionalização e diversidade das ações de marketing. “As lésbicas não fazem parte somente de uma sigla, há outras dimensões dentro desse mundo, como maternidade, trabalho, corpo, preconceito, inclusive o próprio empoderamento feminino. Acreditamos que as ouvindo, podemos aprender e ampliar ainda mais o mercado de influência.” Afirma Yhevelin Guerin, lésbica, sócia da Mosaico e coordenadora da pesquisa.
Para participar, basta acessar o link do questionário por aqui . É importante que a pesquisa seja respondida com todos os detalhes possíveis até seu encerramento no dia 26 de maio para refletir a realidade da sociedade diversa que vivemos.
Tá sem ideia do que fazer para um publi de alguma marca que te contratou? A Mosaico elaborou a estratégia de conteúdo para os influenciadores do amaciante Downy durante o BBB 22 e aproveitamos para reunir os posts que foram ao ar.
Foram 11 influenciadores pertencentes ao Squad da marca: João Pedrosa (BBB 21), Camila Queiroz, Marcos Mion, Camilla de Lucas, Bianca Dellafancy, Paola Antonini, Ju Romano, Jade Magalhães, Lettícia Munniz, Alice Salazar e Mileide Mihaile. Esses nomes foram mapeados em 2021, quando a Mosaico desenvolveu o Planejamento Estratégico de Influência para a Downy. A agência foi contratada pela New Vegas para desenvolver esse plano.
A Mosaico fez todo o direcionamento para que a produção dos conteúdos fosse um sucesso, considerando melhores horários, categorias de conteúdos, alinhamento com o tipo de conteúdo que o influenciador já produz, caracterização e conteúdos de referência.
Como em todo projeto da Mosaico, buscamos trazer diversidade no elenco de influenciadores: diferentes cores, diferentes corpos, diferentes gêneros e sexualidades.
Em 2020 fizemos nossa primeira pesquisa direcionada aos criadores de conteúdo e influenciadores LGBTQIA+ no Brasil, a fim de reunir informações sobre esse grupo ao mercado de influência. O resultado não foi muito positivo, visto que há muita desigualdade também entre as siglas.
Nesse ano decidimos segmentar um pouco mais essa pesquisa e trazer o foco para creators Trans. Assim como na análise anterior, buscamos saber mais sobre o universo da sigla T. Para isso, contamos com o apoio da TransEmpregos e da YouPix.
O primeiro passo foi fazer um mapeamento de influenciadores trans para termos uma dimensão de nosso universo. Esse mapeamento também nos auxiliaria no envio de directs para que o pessoal participasse da pesquisa, que ficou disponível para coleta de dados entre os dias 1 e 21 de junho. Ao todo, conseguimos 189 respostas concentradas na idade entre 18 e 35 anos 86,8%, são moradores principalmente do Estado de São Paulo 33,9%, Rio de Janeiro 15,3%, Minas Gerais 5,8% e Bahia 5,3%.
A amostra foi composta por 41,3% de homens trans, 39,1% de mulheres trans, 15,9% travestis e 13,2% não binárie. A pergunta sobre identidade de gênero foi de múltipla escolha, tendo no grupo, pessoas que se identificam tanto como homem trans quanto gênero fluíde e não binárie, quanto mulher trans e travesti. Relacionado à orientação sexual, 45% são heterossexuais, 23,8% bissexual, 19% Pansexual e 6,9% Gay.
Referente a raça, seguindo as bases estabelecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a amostra se denominou 48,7% branca, 25,4% parda e 22,8% negra. Do grupo, 64% são solteires, 20,6% estão namorando e 9% são casades.
A maior parte dos respondentes são composta por nano influenciadores, que possuem menos de 10 mil seguidores, 42,3%. Micro (de 10 a 100K) 21,7% e Meso (de 100k -500k) – 3,7%. Mega Influenciadores (acima de 1M): 0,5%.
Quando o assunto é produção de conteúdo, numa questão de múltipla resposta, 14,3% dizem que não possuem um tema específico. Entretanto, os 38,1% abordam assuntos sobre gênero e sexualidade e 36,5% assuntos relacionados com a cultura e história LGBTQIA+, fato que se associa ao motivo que os levou a serem influenciadores digitais, como uma forma de mostrar a sua trajetória e fornecer visibilidade ao universo. Outros assuntos que também entram na pauta desse grupo é assuntos relacionados com beleza 28,1%, Arte 27% e Entretenimento 24,4%.
Um ponto importante de se destacar é frequência que esse grupo realizou trabalhos como influencers. 45,5% respondeu não ter feito nenhum trabalho como influencer nos últimos 6 meses, enquanto 11,1% fez 1 trabalho. Esse dado destaca o esquecimento da comunidade trans fora do Mês do Orgulho LGBTQIA+.
36,6% do creators que responderam a pesquisa disseram ser mais procurados por empresas durante o Mês do Orgulho LGBTQIA+.
Isso ressalta como as marcas ignoram a existência dessa comunidade nos outros períodos do ano e acabam inviabilizando essas pessoas!
57,6% responderam que o valor do cachê é importante ou muito importante na hora de fechar um trabalho.
Já sobre a forma de abordagem das marcas quase 35% respondeu considerar importante na hora de aceitar um trabalho
Mais da metade dos creators trans respondentes da pesquisa acham muito importante que as marcas se posicionam e não acham muito importante a fama dessas empresas.
Quando uma marca se posiciona ela mostra que seu apoio é genuíno e não uma estratégia que visa apenas lucros.
Pesquisa supervisionada e também integrante do projeto de pesquisa da Profa. Dra. Yhevelin Guerin, vinculada à Universidade de Santa Cruz do Sul e intitulada “Influenciadores digitais, empoderamento social e posicionamento de marca.
São poucos os dados disponíveis que falam sobre o nicho de creators e influencers transgênero. Pensando em levantar essas informações para poder defender a inclusão de influenciadores da sigla T em campanhas publicitárias, a Mosaico desenvolveu a “Pesquisa com Influencers Trans”.
A Mosaicoé conhecida no setor de marketing de influência por defender a diversidade dentro de campanhas publicitárias e empresas. Fomos a precursora ao tentar entender mais sobre como é a inclusão dos influencers integrantes da sigla LGBTQIA+ em 2020, quando realizamos a primeira pesquisa brasileira direcionada a este público. Agora, queremos nos aprofundar no assunto e conhecer mais sobre os influenciadores pertencentes a sigla T.
Esta condição confirma um tabu presente no que se refere à identidade de gênero e a dificuldade não só da sociedade, mas também das marcas, de tratar o assunto de maneira mais aberta e natural. E para mudar esse cenário, nos unimos com o TransEmpregos, a Youpix e o site Põe Na Roda, que vão nos ajudar no trabalho de dados e divulgação dessa pesquisa.
A proposta final, além de fornecer informações sobre esse universo, possibilita visibilidade. Segundo Yheuriet Kalil, CEO da Mosaico, existem “resistências e estranhamentos sociais dentro da comunicação e no momento em que marcas apoiam, contratam e co-criam com creators trans, esse tema pode ser mais difundido e naturalizado. Os tabus precisam ser dissipados”.
Participe da pesquisa acessando este link e preenchendo o formulário. É importante que ele seja respondido com todos os detalhes possíveis, para refletir a sua realidade.
Para termos um resultado mais completo precisamos que a pesquisa tenha muitas respostas, então compartilhe com os amigos e nos ajude na divulgação.
Influenciadores digitais tem o potencial de inspirar muitas pessoas. Contudo, nesse bate-papo que tivemos através do Mosaico de Conversa fomos mais do que inspirados, e sim, educados por Bielo Pereira e Tarso Brant. Ouvimos sobre representatividade, entendemos o significado de bigênere e intersexo, além de também falarmos sobre marketing de influência envolvendo criadores de conteúdo transgêneros. Siga lendo e fique por dentro de tudo que rolou. E se quiser acompanhar na íntegra o vídeo completo, acesse o IGTV da Mosaico.
Bielo Pereira: gorde, ativista, prete, interssex e depois da live, professore
Se só de ouvir a Bielo a gente já se sente energizado positivamente, imagina poder bater um papo com essa militante, dona e representante da sensatez? Saímos renovados da conversa, e tivemos o prazer de ouvir uma super explicação vinda da criadora de conteúdo sobre o significado de intersexo e transgeneridade, que aliás, é essencial você saber. Então, fica atento nas próximas palavras deste artigo.
“A pessoa interssex não é só essa pessoa que nasceu com as duas gônadas. É também a pessoa que tem o desenvolvimento do corpo (…) digamos assim, híbrido. O que é mais uma comprovação (…) que o gênero é um ideal que a gente cria né.”, explica a creator e também apresentadora do Coisa Boa Para Você, do GNT.
Bielo também explica que a sexualidade não é auto designada, e sim, uma condição pré-existente dentro de cada um de nós. Ouvir a influenciadora é um convite para entendermos melhor quem somos de verdade e avaliar a forma como nos apresentamos ao mundo, afinal, todos estamos livres para ser quem quisermos ser.
A creator seguiu o bate-papo e foi fundo na sua explicação sobre o que é transsexualidade, para não deixar nenhuma dúvida. Ela diz que todo o conflito começa na hora de precisar se auto designar. “Isso normalmente acontece na adolescência, mas pode ser antes ou depois. A pessoa começa a ver que ela não faz parte daquele gênero que a família escolheu, que a família pré designou.” explica a influenciadora digital.
Ao falar sobre as suas escolhas, Bielo conta “Eu me considero dos dois, eu sou uma pessoa bigênero, eu sou uma pessoa que é homem e mulher o tempo todo, independente da imagem social que eu esteja aparentando.”, relata enquanto nós, aprendemos e batemos palma. <3
O mês do orgulho LGBTQIA+ vai muito além da Parada LGBT
O mês do orgulho é conhecido e ganhou notoriedade com o avanço e disseminação de Paradas LGBTs em todo o país, sendo a maior delas realizada em São Paulo, capital. Muitas marcas colocavam seus esforços de marketing dentro desse evento para se mostrarem abertas à diversidade. Contudo, estar de portas abertas vai muito além disso. Para ser uma marca livre de preconceitos contra o movimento LGBTQIA+, é preciso criar um relacionamento perene com os integrantes da sigla, incluindo-os em campanhas durante todo o ano.
“Eu não vejo pessoas intersexuais fazendo campanhas, mesmo em junho, eu não vejo esse lado sendo representado. Muitas marcas vem falar comigo pela questão de eu ser uma pessoa trans, então eles falam comigo muito mais por conta disso, porque eles entendem melhor a coisa da transexualidade, mesmo eu falando que eu sou bigênere e interssex”, explica Bielo.
Junto do nosso bate-papo, estava o modelo e influenciador, Tarso Brant que tem uma super história para contar sobre a sua transição e processo de descobrimento. Ao questionado sobre um recado que passaria para as marcas que ainda tem receio de trabalhar com transsexuais, Tarso Brant foi bem assertivo. “Elas estão perdendo tanto comercialmente, quanto em questão do conceito mesmo. Que o conceito do transgênero é algo que traz uma transgressão de barreiras, traz uma mudança implícita dentro de cada pessoa. Então a representatividade que um transgênero tem dentro de uma marca, ela não se compara com a de qualquer outra pessoa. A sensação de um transgênero na vida é única, eu tive a oportunidade, o prazer e a honra de viver duas existências em uma só vida. Quero utilizar do meu conhecimento para ajudar as pessoas da forma como eu não fui ajudado no início.”, desabafa o influenciador digital, que também é ator e modelo.
Profissão: Influenciadores digitais. Porque essa escolha?
Não se nasce influenciador digital, torna-se. Assim como muitas outras escolhas em suas vidas, Tarso e Bielo optaram por abrir suas redes sociais para falar sobre suas transformações, militando e ajudando outras pessoas semelhantes a eles.
Tarso conta que o começo de tudo para ele foi natural e cresceu de forma tão orgânica que o fez questionar sobre suas responsabilidades ao falar sobre qualquer assunto com mais cuidado. “Eu estava no meu processo de me entender, de compreensão comigo mesmo e quando eu percebi que o que eu falava afetava uma sociedade toda, eu falei caramba, calma, como é que eu vou utilizar isso tanto a meu favor quanto para algumas pessoas que estão aqui se inspirando em mim. “, relata.
O influenciador conta que falava sobre assuntos pessoais, até que viu seu crescimento nas redes e – com uma maturidade já desenvolvida – optou por desenvolver conteúdos que fossem além da sua rotina e sim, que pudessem ajudar outras pessoas. Fazendo a criação de posts mais direcionados e pensados para os seus seguidores.
Conversando sobre os formatos e as redes sociais favoritas, Bielo conta que adora o Instagram e de lá não sai tão cedo. “No meu coração é a minha preferida, por onde eu comecei, por onde eu acho que eu ainda vou ficar um bom tempo, e eu gosto muito de produzir foto, que está morrendo infelizmente. Quero começar a produzir mais vídeos pro feed, porque a gente sabe que o que mais performa agora é vídeo. Gosto muito de produzir foto para o feed, e stories pra mim é vida.”, relata cheia de energia.
Bate-bola com Mosaico
Em todos os nossos Mosaicos de Conversas, temos um momento especial onde os influenciadores são questionados sobre algo e precisam responder com a primeira coisa que lhes vem na cabeça. Separamos as melhores respostas de Bielo e Tarso para você conferir.
Mosaico: Militar é…? Bielo: Militar é ter o direito de viver. Militar é viver com alegria sendo quem você é, estando fora dos padrões em que a sociedade olha e fala: você não merece viver e ser feliz. Militar é ser feliz.
Mosaico: Eu quebro o tabu quando? Bielo: Quando coloco essa cara preta, gorda, trans e intersex na rua. E o que? Belíssima, meu amor.
Mosaico: E o recado para as marcas? Bielo: Marcas, seguinte: a gente existe, a gente consome. E uma máxima que a gente já aprendeu é que se não tem pra uma – porque a sigla é LGBTQIA+. Se só tem para gays, só tem para as lésbicas, se só tem pra intersex, se não tem pra uma de nós, não tem pra todas. Então a gente vai parar de consumir vocês. PAREM, PENSEM E REPENSEM. Vamos trazer diversidade e inclusão sim, genuinamente vamos trazer a galera da sigla para conversar e discutir a produção dessa campanha.
Mosaico: Empoderar é?
Tarso: Ter a consciência do que você é.
Mosaico: uma marca que você admira o trabalho dela com marketing de influência? Tarso: Spotify. Modéstia à parte, eu sou embaixador do Spotify. Eles agregaram várias idéias diferentes dentro desse time de embaixadores. A gente teve uma reunião, e a ideia da marca, a forma como eles estão passando tanto conteúdo, quanto a sensação de estar bem através do que a música te inspira, e essa diversidade toda de som, cultura, gostos, gêneros, raças, tudo junto e misturado. Acho que isso causa algo dentro da gente, é diferente e está sendo foda essa experiência.
Mosaico: E o recado para as marcas? Tarso: Então, qualquer marca, seja comercial, qualquer produto que eu faço, eu levo tudo isso comigo. Eu levo esse recado comigo. O que as pessoas precisam receber? Verdade. Então qualquer marca que escolha uma ilusão ao invés de uma verdade, ela estará vendendo um produto que não é coerente, ela está querendo só vender, ela não está levando um propósito. Geralmente o que a gente não leva propósito, o que a gente não leva amor junto, não funciona, simplesmente acaba.
Gostou do bate-papo? A gente por aqui adorou e quer ouvir sua opinião. Além de falar sobre o Tarso e a Bielo, comente aqui embaixo quem você gostaria de assistir em um Mosaico de Conversas.