No último mês, vimos uma tentativa na ALESP de tirar pessoas LGBTQIA+ da publicidade. Por isso, trouxemos 5 campanhas inspiradoras que fizeram história colocando a pauta da diversidade em destaque!
DIA DOS NAMORADOS – O BOTICÁRIO (2015)
Por trazer casais de diferentes orientações sexuais, a campanha “Casais” causou comoção nas redes. Alvo de boicote do público conservador, que tentou um processo pelo CONAR (alegando desrespeito à família), mas foi absolvida e ainda levou o prêmio máximo do EFFIE AWARDS BRASIL 2015.
OUTUBRO ROSA – AVON (2015)
Também em 2015, a AVON trouxe a cantora Candy Mel como a primeira mulher trans a protagonizar uma campanha de conscientização sobre o câncer de mama. “#EUSOUASSIM”.
DORITOS RAINBOW (2017)
Para apoiar a 21ª parada LGBT em São Paulo, Doritos criou o salgadinho “Rainbow”, com as cores da bandeira LGBTQIA+. Na compra do kit Rainbow, a renda foi revertida para a Cassa 1 que abriga LGBTQIA+ em situação de risco. A campanha foi protagonizada por diversos influenciadores da comunidade.
MEU PRIMEIRO SUTIÃ – ANTRA (2019)
A Madre Mia Filmes recriou o filme “Meu Primeiro Sutiã”. clássico de Washington Olivetto exibido em 1987, para a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). A releitura traz um protagonista trans para abrir uma discussão sobre a violência e o preconceito.
DIA DOS PAIS – NATURA (2020)
A Natura virou um dos assuntos mais comentados no Twitter após publicar a campanha “#MEUPAIPRESENTRE”, trazendo Thammy Miranda como um dos contratados. Em nota, a Natura afirmou ao UOL seu posicionamento de que celebrar “Todas as formas de ser homem”.
São poucos os dados disponíveis que falam sobre o nicho de creators e influencers transgênero. Pensando em levantar essas informações para poder defender a inclusão de influenciadores da sigla T em campanhas publicitárias, a Mosaico desenvolveu a “Pesquisa com Influencers Trans”.
A Mosaicoé conhecida no setor de marketing de influência por defender a diversidade dentro de campanhas publicitárias e empresas. Fomos a precursora ao tentar entender mais sobre como é a inclusão dos influencers integrantes da sigla LGBTQIA+ em 2020, quando realizamos a primeira pesquisa brasileira direcionada a este público. Agora, queremos nos aprofundar no assunto e conhecer mais sobre os influenciadores pertencentes a sigla T.
Esta condição confirma um tabu presente no que se refere à identidade de gênero e a dificuldade não só da sociedade, mas também das marcas, de tratar o assunto de maneira mais aberta e natural. E para mudar esse cenário, nos unimos com o TransEmpregos, a Youpix e o site Põe Na Roda, que vão nos ajudar no trabalho de dados e divulgação dessa pesquisa.
A proposta final, além de fornecer informações sobre esse universo, possibilita visibilidade. Segundo Yheuriet Kalil, CEO da Mosaico, existem “resistências e estranhamentos sociais dentro da comunicação e no momento em que marcas apoiam, contratam e co-criam com creators trans, esse tema pode ser mais difundido e naturalizado. Os tabus precisam ser dissipados”.
Participe da pesquisa acessando este link e preenchendo o formulário. É importante que ele seja respondido com todos os detalhes possíveis, para refletir a sua realidade.
Para termos um resultado mais completo precisamos que a pesquisa tenha muitas respostas, então compartilhe com os amigos e nos ajude na divulgação.
Olá, aqui é a Julia, Community Manager na Mosaico!
Eu lembro de um reflexo da influência pelo qual eu passei, quando uma vez eu estava trabalhando em um hotel, e na recepção chegou uma criança e falou “Olha mãe, a Pabllo Vittar”.
Eu “não consegui não abraçar” ela muito. Claramente há um distanciamento enorme entre a Drag Queen e uma Travesti, mas a percepção de uma criança quanto a uma pessoa LGBTQIA+ em tom de admiração, já é algo gigante, não é mesmo?
O mundo corporativo não costuma ser o ambiente mais convidativo para pessoas Trans de maneira geral, como veremos a seguir neste texto. Ainda existem estigmas sociais a serem quebrados e a exclusão é massacrante. Já tive oportunidades muito boas de emprego. Muitas outras me foram negadas e limitações foram impostas durante esse período. Me encontrei e me perdi várias vezes nesses processos para chegar onde estou agora.
Trabalhar com o Marketing de Influência hoje em dia me mostra um caminho que pode ser um grande aliado na luta por direitos e visibilidade, na abertura e ampliação de debates que podem nos fazer chegar a um lugar mais igualitário.
Trabalhar com a Mosaico, contando com a diversidade em cada pessoa da equipe, parece uma experiência surreal a partir da lógica corporativa, e saber sobre o papel que estamos desempenhando e o potencial futuro que pode ter, é uma motivação maior.
Falando do ponto de intersecção entre o lado profissional e pessoal: você poder olhar para as pessoas com quem você trabalha e poder se sentir “pertencente” ao grupo deveria ser um direito garantido a todos.
Por esses e outros motivos, devemos levar sempre em consideração recortes em diversas esferas sociais. Principalmente entendendo o contexto e suas reivindicações.
Especificamente sobre a comunidade Trans – recorte que me corresponde – no mês de Janeiro, no dia 29, é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans e Travesti.
A data é importante para pessoas trans de todo o país. Importância essa que também deve ser abraçada e até celebrada por pessoas cisgêneras, pois tem o significado de reforçar a luta por respeito, garantia de direitos, igualdade (e equidade). E numa sociedade mais igualitária, todo mundo sai ganhando.
Vale lembrar que o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo, seguido por México e Estados Unidos.
Também é importante termos a proporção da população Travesti/Mulheres trans é abismal no mercado de trabalho, onde pesquisas apontam que 90% da população utiliza a prostituição como principal fonte de renda/trabalho e apenas 4% dentre as 10% têm registro em empregos formais.
Em um segundo ponto, pessoas trans têm grande relevância e suas diversas contribuições podem ser encontradas em áreas da arte, cultura e comportamento, que socialmente são consideradas marginalizadas, e por muitas vezes, são expropriadas em função de enquadramento nas normas impostas como sua influência na luta por igualdade de gênero, cultura, linguagem, literatura, política, entre outros.
Há uma grande pluralidade que deve ser celebrada em diversos âmbitos de influência habitados por pessoas Trans (e pretas), onde principalmente deveriam ser lembradas como protetoras ou formadoras de tais elementos culturais, por exemplo, o aclamado “Voguing” na dança e a cultura Ballroom.
No imaginário social conservador, ainda há alguns impedimentos, porém a população trans vem avançando, e quebrando estigmas e lugares antes impostos. Como apontado no documentário “Revelação” (Disclosure – 2020 – Netflix) – para falar de uma referência recente e “popularizada” – há uma forte influência da indústria cinematográfica, e tantas outras para a criação desse paradigma. Ou seja, ainda estamos em processo de quebra de paradigmas.
Com o avanço da utilização das redes sociais como forma de manifestação em prol da visibilidade, assim como com ações afirmativas e manifestações políticas, hoje podemos ter, em uma visão relativamente opaca, a possibilidade de celebrar a diversidade, sua completude e influência positiva que pode trazer.
Por quê influência?
Nos tempos anteriores à invenção da Internet, devido sua forte presença também nas artes, a comunidade Trans já era noticiada como parte da influência do mundo do entretenimento no Brasil e no Mundo – principalmente na “mídia alternativa” – como apontado pelos Museus que resgatam a memória da comunidade LGBTQIA+.
Nos primórdios da internet, era comum a presença de creators Trans em Blogs, Fotologs, comunidades do orkut e outras ferramentas mais antigas. Assim como funcionam as redes sociais atualmente, elas serviam como meios de comunicação entre a própria comunidade para o compartilhamento de informações relevantes e de apoio, como relatos de transições, fóruns sobre a liberdade de gênero e compartilhamento de lugares seguros, hoje essa narrativa avança, ajudando o deslocamento para o alcance e visibilidade além dos relatos de transição.
indicada ao Emmy Awards, em 2014, por conta de sua personagem Sophia Burset, no seriado Orange Is The New Black.
Ela possui 4,5 milhões de seguidores no Insta”; via Metrópoles;
Hoje estamos encontrando caminhos e realizando marcos importantes, como pessoas Trans ocupando a política, cinema, música e grandes prêmios de mídias também acessados pela população Cisgênera.
Como destacado acima, cada vez mais se evidenciam através influenciadores Transvestigêneres em redes sociais.
E mais, com a explosão de produções como “Pose”(Netflix, 2018), ou a nova série que conta a história da atriz e cantora Cristina Ortiz, “Veneno” (HBOMAX, 2020) e a quebra de narrativas trazida pelo filme “Alice Júnior” (Beija Flor Filmes, 2019), podemos encontrar sinais positivos sobre as novas influências nos caminhos de como se representa a história e vivência Trans.
“ – O filme “Alice Júnior”, lançado em 2019 e recentemente disponibilizado na Netflix, não só é um respiro para a comunidade transgênera, como também nos convida a mergulhar de verdade nas questões trans enquanto nos diverte….” Diz Jonas Maria.
Fruto desses trabalhos, é possível observar atrizes que protagonizaram os respectivos papéis, como Daniela Santiago e Anne Mota e sua notoriedade nas redes sociais.
Artistas e profissionais de diversas áreas compartilham informação e conteúdo através das redes sociais, utilizando-as, assim como pessoas cisgêneras, como vitrines para seus trabalhos, sua rotina e entretenimento.
Segundo matéria publicada pela BBC News asper Observatório da Uol, pessoas Trans estão mudando a Indústria da Propaganda no Brasil. A entrevista foi realizada com Lucca Najar e Thiessa Woinbackk.
@luccanajar (Youtube – 160k inscritos e pico de 390k de visualizações)
@Thiessita ( Youtube 770k inscritos e pico de 2,2mi de visualizações)
Essa influência e notoriedade pode ser considerada uma conquista enorme para a comunidade LGBTQIA+ de maneira geral, principalmente a Trans, pois é através desse “workflow” que sabemos que entram as marcas que ainda não trabalham com ações afirmativas, a voltarem suas atenções, e incluírem os creators em suas contratações.
O “prêmio dourado” no mundo da publicidade viria diretamente dessa relação com o Marketing de Influência, onde existe aí uma oportunidade para abrangência de convergência dessas narrativas e alocação de pessoas Trans em espaços “não comuns” anteriormente, por exemplo, em mídias tradicionais. Ou seja, não sermos obrigados a assistir tragédias forçadas sobre processos de transição em horário nobre.
Através do mesmo, pode-se encontrar a possibilidade de abranger a informação e colocar pessoas Trans como autoridades de assuntos plurais e diversos, espaços esses que anteriormente se diluíram no conservadorismo. O que é ressaltando – que é 10/10 também – é a capacidade de pessoas de atingirem lugares e audiências específicas com uma sensibilidade maior.
Agora que estamos alinhando nossos discursos, trouxemos aqui alguns pontos importantes com base em erros comuns de quando vamos falar de Influência.
Influência de pessoas trans/travestis com notoriedade.
Não se utilizar de influenciadores únicos para falar em nome de uma comunidade. É importante notar que cada influenciador tem um nicho específico e um público diferente, por mais que lutem pela mesma bandeira. Cada creator pode corresponder a um ou mais lugares dentro de sua representatividade, mas, é importante entender quando isso deve ser evitado.
É comum acompanharmos “denúncias” em redes sociais de creators que recebem convites para representarem lugares que não são seus. Por exemplo, personagens Drags sendo chamadas para representar/ falar em nome de pessoas trans.
Just don’t.
A partir disso precisamos:
Celebrar a pluralidade.
Existem pessoas Trans, possivelmente, em todas as áreas profissionais possíveis, como mostrado anteriormente. É importantíssimo dar voz e conciliar isso aos interesses de uma marca.
Contratações de pessoas trans apenas para falar sobre diversidade, não significa inclusão. É importante conhecer as demandas e o público de cada creator, não assumindo que serão exclusivamente LGBTQIA+;
E muito mais importante é:
Deixar de lado as contratações de pessoas trans apenas em datas específicas;
Profissionais LGBTQIA+ trabalham o ano inteiro, e, conforme dados da pesquisa, a maioria deles relata o aumento da busca de marcas apenas em datas como Parada LGBTQIA+.
Conte no seu calendário de ações e campanhas, as datas importantes para a Comunidade, mas não apenas. Isso é um dos elementos mais fortes, senão o próprio “Pink Money”, e às vezes nem money é, o que nos leva a pensar em:
Nem tudo é acordo de permuta (vulgo “Permuta não paga aluguel”) ;
Uma queixa constante de creators Trans/LGBTQIA+ é a relação de propostas de contratos versus acordos de permutas recebidos. Essa é uma cobrança cada vez mais frequente dos creators, e, se formos parar para pensar: Como poderia ser diferente, não é ? Além disso, valorizar o trabalho e o caché;
Ressignifique o sentido de equipe.
Uma equipe diversa e plural é capaz de discutir, abranger e criar mais, e com maior efetividade. Isso porque os questionamentos vêm de lados diferentes e vivências diferentes abordando o mesmo tema.
Na busca do Creator que mais se adequa a sua marca, isso não é diferente. Ter uma equipe diversa, pode possibilitar a marca a ter uma leitura mais ampla sobre o tema e o público e por isso, selecionar os creators que mais conversem com sua marca.
Recentemente, foi questionada essa relação entre ampliar a representação da diversidade nas marcas e o forte conservadorismo social, ou seja, boicotes a marcas que se posicionam.
Um dado interessante é que na campanha da Natura do Dia Dos Pais, com o @Thammy.Miranda, houve uma reação muito positiva do mercado financeiro à decisão.
Segundo o jornal “Estadão”, as ações ordinárias da Natura operaram em alta de 6,73% em 29/06. O Ibovespa subiu 1,44%. No dia 30, o valor das ações da Natura cresceu mais 3,36%, mesmo com ataques de Fake News e boicotes virtuais.
Empresas vêm cada vez mais investindo em trazer diversidade e novos olhares para suas equipes.
E agora que você sabe, o que fazer?
4 atitudes para serem tomadas a partir de agora:
Seguir perfis e creators trans;
Ficar por dentro de notícias e atualizações da comunidade Trans em geral, conquistas, lutas e contextos;
Buscar ser aliada e observar a quantidade de pessoas trans em ambientes onde frequenta.
Se não há ninguém, questione-se o por quê.
Indicar creators nos comentários.Compartilhe esse post para que mais pessoas vejam!
São atitudes breves, que demandam pouco tempo. A partir daí, com certeza você verá cada vez ações maiores que podem ajudar a mudar a realidade de muitas pessoas ao seu redor. Vamos juntos?
Por trás de cada avatar, existe uma pessoa. Isso parece óbvio, mas quando estamos conectados, sob a máscara de internautas, facilmente esquecemos que por trás do conteúdo consumido, existe um criador com sentimentos e expectativas, esperando o feedback sobre o que foi publicado.
O universo online nos dá voz, ferramentas para falar, uma infinidade de recursos para comunicar, mas não nos educa a ouvir. Cancelamos não necessariamente o que é injusto, e sim, toda opinião diferente. Isso não está certo, e a Mosaico criou a campanha “Creators também são pessoas” para tentar alertar sobre esse problema e estourar a bolha que está sendo criada.
O que é a cultura do cancelamento?
O cancelamento se tornou um medo entre os criadores de conteúdo. Este movimento começou a alguns anos, mas se popularizou recentemente. Seu foco era denunciar injustiças sociais, boicotando marcas e celebridades que cometeram graves delitos. Contudo, ganhou um novo significado: antes, o cancelamento procurava dar voz aos oprimidos, hoje, virou uma mão que sufoca a todos que possuem uma opinião diferente.
O movimento começou com boas intenções, se propagou, realizou denúncias e se tornou um justiceiro no meio online. Foi graças ao cancelamento, que muitas empresas refletiram e adicionaram em suas pautas assuntos como a diversidade, feminismo e racismo. Mas o tribunal da internet caiu nas mãos de pessoas erradas e qualquer erro pode iniciar o fim de uma carreira. Perdemos a chance de errar e aprender com isso, logo, as consequências a saúde mental podem ser catastróficas.
Creators também são pessoas: lembre-se antes de comentar
Na Mosaico, somos a favor de discussões saudáveis na internet. É a troca de ideias que torna o convívio no nosso playground online mais vivo e colorido. Contudo, notamos uma onda de cancelamentos por motivos banais, como: não dar bom dia aos seguidores com tanta “simpatia”; errar a referência de um vídeo; demorar para publicar o conteúdo; ou apenas ter uma opinião diferente.
Idealizador da campanha, o Diretor Criativo da Mosaico, Bernardo Remus explica de onde surgiu a ideia de lembrar que creators são pessoas: “Ninguém pode sair um dedo da linha, ninguém pode se equivocar, ninguém pode ter um posicionamento diferente, que as pessoas começam a atacar sem dó, esquecendo que ali do outro lado da tela existe uma pessoa que também está evoluindo, descobrindo, explorando e que é passível de erros”, menciona.
A proposta de “Creators também são pessoas”, de acordo com Bernardo, é lembrar a todos de realizar comentários menos agressivos e estimular a troca de opinião saudável. É procurar se colocar no lugar do próximo, e ter empatia com o criador de conteúdo – afinal, um cancelamento equivocado pode colocar em risco toda a sua forma de sobrevivência, ainda mais em um momento tão delicado como o que estamos vivendo, com o isolamento social.
No final do nosso formulário de pesquisa, deixamos um espaço em aberto para que o criador de conteúdo pudesse deixar um recado para as marcas. Hoje, a missão da Mosaico é publicar esses feedbacks, que são conselhos importantes para quem ainda tem algum receio em investir e se posicionar a favor de lésbicas, gays, trans, bis, queers, interssexuais, assexuais, panssexuias e etc. Eles merecem e têm direito a ter voz ativa, e você não pode deixar de ouvi-los e pegar esses conselhos para criar uma super estratégia cheia de diversidade para sua empresa.
Conselho 1: Influência é um trabalho e merece remuneração real
“As marcas e as agências precisam lembrar que a gente existe além de junho e precisam lembrar também que a gente tem boletos, porque tem várias marcas que querem que a gente faça coisas de graça ou pagando super pouco em nome da visibilidade da causa. Visibilidade sem pagar não me interessa porque não gera inclusão. Eu só vou estar em pé de igualdade com as pessoas héteros-cis quando meu trabalho for tão valorizado quanto o deles” (opinião de creator transgênero/pansexual)
Esse comentário é muito importante pois mostra que não é apenas dando espaço em uma campanha para integrantes do movimento LGBTQIA+ que uma marca se mostra aberta à diversidade. É preciso que todos os tratamentos sejam igualitários, principalmente aqueles que envolvem remuneração pelo esforço envolvido por parte do creator. A pesquisa da Mosaico mapeou quanto o trabalho de influência auxilia na renda de cada creator e pode entender que a valorização que o creator busca é aquela onde ele é pago por exercer o seu trabalho, algo que vai muito além da distribuição de mimos ou recebidos em troca de posts, prática muito frequente na maioria das empresas, que buscam menções em troca de alguns produtos, sem realizar um alinhamento de trabalho remunerado.
Conselho 2: Ampliar o calendário e praticar a inclusão nos 365 dias do ano
“Fazer publi e falar da pauta (LGBTQIA+) só na época do ano que todos falam é fácil. Importante é fazer esse trabalho de forma constante, apoiando a médio e longo prazo o criador do segmento. Especialmente se tratando de saúde mental, pois o criador de conteúdo ter um patrocinador fixo significa ter mais segurança e a imagem da marca é trabalhada no longo prazo. ” (opinião de creator bissexual) “Incluir influenciadores que fazem parte desse meio em diversas campanhas durante o ano, não apenas no mês do orgulho LGBTQIA+” (opinião de creator bissexual)
“Fazer mais ações ligadas ao público LGBTQIA+ mesmo fora das datas focadas nesse público. Trazer a normalidade e representatividade real da nossa comunidade para o mercado publicitário, defendendo nossa causa durante todo o ano. ” (opinião de creator bissexual)
Nas lives realizadas pela Mosaico durante o mês de celebração ao orgulho LGBTQIA+, muitos dos nossos convidados também relataram a necessidade de ver marcas trabalhando a diversidade durante outras datas comemorativas ao decorrer do ano. A comunidade também possui ou são mães, pais, filhos, possuem famílias e querem engajar e comemorar esses dias especiais como qualquer outro influenciador que é convidado para campanhas nos outros meses do ano. A representatividade não está somente dentro da construção de narrativas em cima de uma sigla específica. Ela vai além, Uma marca não precisa somente praticar uma discurso literal. Ao contratar e incluir as ações na sua comunicação membros do movimento, indo além dos estereótipos e exposição da sexualidade, a marca já estará abrindo as portas para a diversidade. Os criadores de conteúdo falam sobre diversos temas, não é só o discurso da comunidade.
Conselho 3: Abrir espaço para corpos gordos e pretos
“Importante, além da diversidade de letras, pensar na diversidade de corpos! Pessoas gordas, inclusive” (opinião de creator bissexual)
A pluralidade de uma campanha começa quando conseguimos estourar a bolha do comum. É ir além da família feliz na propaganda de margarina, do casal feliz, magro e hétero se beijando na campanha de dia dos namorados. Da festa de natal rodeada de pessoas brancas. É preciso incluir corpos gordos, pretos, indígenas, pessoas com deficiência e naturalizar as suas existências, pois parte dele são a maioria do público consumidor ativo no Brasil e precisam começar a se enxergar em ações de marketing das marcas.
Gostou das dicas que os criadores de conteúdo passaram? Qual delas a sua empresa precisa ainda incorporar na comunicação? Navegue pelo nosso blog e descubra outros insights para trazer ainda mais pluralidade e diversidade para sua marca.
Pesquisa supervisionada e também integrante do projeto de pesquisa da Profa. Dra. Yhevelin Guerin, vinculada à Universidade de Santa Cruz do Sul e intitulada “Influenciadores digitais, empoderamento social e posicionamento de marca.
O marketing de influência é uma grande tendência no mercado digital, fazendo com que marcas invistam cada vez mais nessa estratégia de comunicação. A partir do conteúdo produzido, os creators se destacam nas redes sociais, mobilizam seguidores, lideram comunidades e inspiram hábitos de consumo. É importante conhecer as características dos diferentes perfis e segmentos, já que criadores e conteúdos permitem gerar conexões profundas entre marcas e públicos.
Com um público cada vez mais conectado a causas sociais, o papel das empresas se amplifica. As marcas têm buscado trabalhar com influenciadores que compartilham discursos sociais para estarem mais próximas de seu público, já que o DNA de uma empresa é aquilo que ela transmite através de seus valores. Por isso, no mês do orgulho LGBTQIA+, a Mosaico preparou uma pesquisa quantitativa que teve como objetivo conhecer o universo dos criadores de conteúdo que integram a sigla e que são atuantes nos mais diversos segmentos.
A forma de abordagem foi o envio de mensagem de whatsapp e direct via Instagram para mais de 250 nomes. Além disso, o link da pesquisa foi deixado na bio do Perfil da Mosaico e compartilhada por alguns influenciadores. Essa dinâmica resultou em uma amostragem de 172 profissionais, que responderam entre os dias 04 a 22 de junho, 20 questões que abordavam tanto assuntos relacionados ao perfil do influenciador, quanto assuntos ligados à marcas que trabalham com a representatividade LGBTQIA+.
No que se refere às características principais, mais da metade dos creators respondentes da pesquisa declaram-se brancos (60,9%), moram em São Paulo (61%), possuem entre 25 e 35 anos (68%) e trabalham há mais de três anos com criação de conteúdo (45,7%). O Instagram é a principal plataforma utilizada (76,6%), estando a base de seguidores concentrada entre 10 mil e 50 mil pessoas (47,7%), enquadrando-se como micro influenciadores.
Mesmo existindo uma preocupação em distribuir a pesquisa uniformemente, os dados mostraram também uma realidade diferente do mercado de influência de forma geral, que majoritariamente é constituído por influenciadoras. Os 172 creators pesquisados são homens cis (61,6%). Além disso, do total de respondentes, no espectro de representatividade da sigla (múltipla resposta), 65,1% identificam-se com a sigla G (Gay), enquanto que 15,1%, identificam-se com a letra B (Bissexual) e Q (Queer), respectivamente.
Os temas evidenciados por esse grupo de influenciadores são variados, sendo o entretenimento (62,8%) e arte (57,6%) os mais abordados, o que nos indica que a produção de conteúdo de um criador LGBTQIA+ não está vinculado somente à temas relacionados a essa comunidade. Entretanto, não pode ser desconsiderado, por sua voz, atitude social e política, temas vinculados com ativismo e direitos (56,4%), assim como a cultura e história LGBT (53,5%) e a pauta sobre gênero e sexualidade (48,8%), que estão presentes no discurso nesse grupo.
Entre as marcas mais lembradas pelos entrevistados quando o assunto é representatividade e temas ligados ao movimento LGBTQIA+ estão Doritos (19,2%), Netflix (11%), C&A (8,7%) e Absolut (4,1). Dos 172 entrevistados, 94,2% lembraram de uma marca específica, mas quando questionados se lembravam de mais marcas que trabalhavam com o tema, um pouco mais da metade (52,3%) respondeu.
De modo geral, podemos dizer que o mercado LGBTQIA+ é um mercado em expansão que movimenta mundialmente por ano por volta de 4 trilhões de dólares (O GLOBO, 2019). Aos poucos, os tabus começam a ser dissipados e a comunidade precisa ser reconhecida, precisando estar na pauta de discussão de todas as esferas da sociedade de forma séria e constante. Não se trata só de abraçar a causa em determinados períodos, trata-se de incorporá-la à uma estratégia diária. É muito importante salientar que os influenciadores com discurso social contam histórias que compõem um território próprio que podem materializar o encontro do propósito da marca com o insight humano, com o que é realmente relevante na vida das pessoas. A humanização e diversidade das marcas é o melhor caminho.
Confira a parte 2 dos dados aquiQuanto o trabalho de influenciador representa na renda de creators LGBTQIA+ e em quais datas eles são mais procurados?
Confira a parte 3 dos dados aquiOs formatos de conteúdo mais usados por influenciadores digitais LGBTQIA+ no Brasil
Confira a parte 4 dos dados aquiCreators LGBTQIA+ mandam recados (e grandes conselhos) para as marcas que ainda não investem em diversidade
Pesquisa supervisionada e também integrante do projeto de pesquisa da Profa. Dra. Yhevelin Guerin, vinculada à Universidade de Santa Cruz do Sul e intitulada “Influenciadores digitais, empoderamento social e posicionamento de marca.