Em 2020 fizemos nossa primeira pesquisa direcionada aos criadores de conteúdo e influenciadores LGBTQIA+ no Brasil, a fim de reunir informações sobre esse grupo ao mercado de influência. O resultado não foi muito positivo, visto que há muita desigualdade também entre as siglas.
Nesse ano decidimos segmentar um pouco mais essa pesquisa e trazer o foco para creators Trans. Assim como na análise anterior, buscamos saber mais sobre o universo da sigla T. Para isso, contamos com o apoio da TransEmpregos e da YouPix.
O primeiro passo foi fazer um mapeamento de influenciadores trans para termos uma dimensão de nosso universo. Esse mapeamento também nos auxiliaria no envio de directs para que o pessoal participasse da pesquisa, que ficou disponível para coleta de dados entre os dias 1 e 21 de junho. Ao todo, conseguimos 189 respostas concentradas na idade entre 18 e 35 anos 86,8%, são moradores principalmente do Estado de São Paulo 33,9%, Rio de Janeiro 15,3%, Minas Gerais 5,8% e Bahia 5,3%.
A amostra foi composta por 41,3% de homens trans, 39,1% de mulheres trans, 15,9% travestis e 13,2% não binárie. A pergunta sobre identidade de gênero foi de múltipla escolha, tendo no grupo, pessoas que se identificam tanto como homem trans quanto gênero fluíde e não binárie, quanto mulher trans e travesti. Relacionado à orientação sexual, 45% são heterossexuais, 23,8% bissexual, 19% Pansexual e 6,9% Gay.
Referente a raça, seguindo as bases estabelecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a amostra se denominou 48,7% branca, 25,4% parda e 22,8% negra. Do grupo, 64% são solteires, 20,6% estão namorando e 9% são casades.
A maior parte dos respondentes são composta por nano influenciadores, que possuem menos de 10 mil seguidores, 42,3%. Micro (de 10 a 100K) 21,7% e Meso (de 100k -500k) – 3,7%. Mega Influenciadores (acima de 1M): 0,5%.
Quando o assunto é produção de conteúdo, numa questão de múltipla resposta, 14,3% dizem que não possuem um tema específico. Entretanto, os 38,1% abordam assuntos sobre gênero e sexualidade e 36,5% assuntos relacionados com a cultura e história LGBTQIA+, fato que se associa ao motivo que os levou a serem influenciadores digitais, como uma forma de mostrar a sua trajetória e fornecer visibilidade ao universo. Outros assuntos que também entram na pauta desse grupo é assuntos relacionados com beleza 28,1%, Arte 27% e Entretenimento 24,4%.
Um ponto importante de se destacar é frequência que esse grupo realizou trabalhos como influencers. 45,5% respondeu não ter feito nenhum trabalho como influencer nos últimos 6 meses, enquanto 11,1% fez 1 trabalho. Esse dado destaca o esquecimento da comunidade trans fora do Mês do Orgulho LGBTQIA+.
36,6% do creators que responderam a pesquisa disseram ser mais procurados por empresas durante o Mês do Orgulho LGBTQIA+.
Isso ressalta como as marcas ignoram a existência dessa comunidade nos outros períodos do ano e acabam inviabilizando essas pessoas!
57,6% responderam que o valor do cachê é importante ou muito importante na hora de fechar um trabalho.
Já sobre a forma de abordagem das marcas quase 35% respondeu considerar importante na hora de aceitar um trabalho
Mais da metade dos creators trans respondentes da pesquisa acham muito importante que as marcas se posicionam e não acham muito importante a fama dessas empresas.
Quando uma marca se posiciona ela mostra que seu apoio é genuíno e não uma estratégia que visa apenas lucros.
Pesquisa supervisionada e também integrante do projeto de pesquisa da Profa. Dra. Yhevelin Guerin, vinculada à Universidade de Santa Cruz do Sul e intitulada “Influenciadores digitais, empoderamento social e posicionamento de marca.
No último mês, vimos uma tentativa na ALESP de tirar pessoas LGBTQIA+ da publicidade. Por isso, trouxemos 5 campanhas inspiradoras que fizeram história colocando a pauta da diversidade em destaque!
DIA DOS NAMORADOS – O BOTICÁRIO (2015)
Por trazer casais de diferentes orientações sexuais, a campanha “Casais” causou comoção nas redes. Alvo de boicote do público conservador, que tentou um processo pelo CONAR (alegando desrespeito à família), mas foi absolvida e ainda levou o prêmio máximo do EFFIE AWARDS BRASIL 2015.
OUTUBRO ROSA – AVON (2015)
Também em 2015, a AVON trouxe a cantora Candy Mel como a primeira mulher trans a protagonizar uma campanha de conscientização sobre o câncer de mama. “#EUSOUASSIM”.
DORITOS RAINBOW (2017)
Para apoiar a 21ª parada LGBT em São Paulo, Doritos criou o salgadinho “Rainbow”, com as cores da bandeira LGBTQIA+. Na compra do kit Rainbow, a renda foi revertida para a Cassa 1 que abriga LGBTQIA+ em situação de risco. A campanha foi protagonizada por diversos influenciadores da comunidade.
MEU PRIMEIRO SUTIÃ – ANTRA (2019)
A Madre Mia Filmes recriou o filme “Meu Primeiro Sutiã”. clássico de Washington Olivetto exibido em 1987, para a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). A releitura traz um protagonista trans para abrir uma discussão sobre a violência e o preconceito.
DIA DOS PAIS – NATURA (2020)
A Natura virou um dos assuntos mais comentados no Twitter após publicar a campanha “#MEUPAIPRESENTRE”, trazendo Thammy Miranda como um dos contratados. Em nota, a Natura afirmou ao UOL seu posicionamento de que celebrar “Todas as formas de ser homem”.
São poucos os dados disponíveis que falam sobre o nicho de creators e influencers transgênero. Pensando em levantar essas informações para poder defender a inclusão de influenciadores da sigla T em campanhas publicitárias, a Mosaico desenvolveu a “Pesquisa com Influencers Trans”.
A Mosaicoé conhecida no setor de marketing de influência por defender a diversidade dentro de campanhas publicitárias e empresas. Fomos a precursora ao tentar entender mais sobre como é a inclusão dos influencers integrantes da sigla LGBTQIA+ em 2020, quando realizamos a primeira pesquisa brasileira direcionada a este público. Agora, queremos nos aprofundar no assunto e conhecer mais sobre os influenciadores pertencentes a sigla T.
Esta condição confirma um tabu presente no que se refere à identidade de gênero e a dificuldade não só da sociedade, mas também das marcas, de tratar o assunto de maneira mais aberta e natural. E para mudar esse cenário, nos unimos com o TransEmpregos, a Youpix e o site Põe Na Roda, que vão nos ajudar no trabalho de dados e divulgação dessa pesquisa.
A proposta final, além de fornecer informações sobre esse universo, possibilita visibilidade. Segundo Yheuriet Kalil, CEO da Mosaico, existem “resistências e estranhamentos sociais dentro da comunicação e no momento em que marcas apoiam, contratam e co-criam com creators trans, esse tema pode ser mais difundido e naturalizado. Os tabus precisam ser dissipados”.
Participe da pesquisa acessando este link e preenchendo o formulário. É importante que ele seja respondido com todos os detalhes possíveis, para refletir a sua realidade.
Para termos um resultado mais completo precisamos que a pesquisa tenha muitas respostas, então compartilhe com os amigos e nos ajude na divulgação.
Se você usa o Instagram para vendas, mas ainda não usa o Loja no Instagram, está na hora de investir nesse recurso. Dá para criar posts, colocar preços e inserir links diretos para o seu site, tudo isso de graça e pela própria rede.
Bora lá que eu vou te mostrar como criar sua loja no Instagram:
Como criar uma loja no Instagram!
Antes de começar você precisa cumprir algumas etapas: ter um perfil comercial no Insta vinculado à uma Fanpage; ter um domínio e um catálogo de produtos no Facebook ou um e-commerce. Caso você não tenha um e-commerce ou catálogo de produtos no Facebook, é possível criar uma conta pelo Gerenciador de Negócios.
Esse processo vai permitir a criação de uma vitrine dos seus produtos, com preços e links diretos no post. Como o recurso ainda não permite pagamentos pela plataforma, o e-commerce é SUPER importante.
Vamos para o passo a passo?
1º Confirmar sua qualificação: Esses requisitos são essenciais para a ativação do recurso!
Estar localizada em um mercado disponível;
Ter um produto qualificado;
Estar em conformidade com o acordo de vendedor e as políticas comerciais da plataforma;
Ter um domínio de site no qual você pretende vender.
2º Perfil comercial e vinculado ao Facebook: Nas configurações do seu perfil clique em “conta”, depois clique em “mudar para profissional” e escolha a categoria da sua loja.
Feito isso, agora é hora de vincular sua conta ao Facebook. Basta clicar em “editar perfil”, “conta”, “compartilhar em outro aplicativo”, “Facebook” e selecionar sua fanpage .
3º Criar seu catálogo: Essa é a parte mais importante do processo, por sorte o Gerenciador de Negócios do Facebook oferece um guia bem prático para a criação desse catálogo.
Acesse as “configurações do negócio”, escolha “origens de dados” e selecione “catálogos”. Aí é só ir em “adicionar e criar um novo catálogo”, criar um nome para ele e você poderá adicionar itens ao Gerenciador de Catálogos.
Também é possível tirar suas dúvidas na seção criar um catálogo na central de ajuda do Facebook.
Agora chegou a hora de levar seu site para análise
A rede precisa verificar se sua empresa é séria, por isso ela passará por um processo de análise que pode levar alguns dias.
acesse o perfil da sua empresa no Instagram e toque no ícone de três barrinhas ;
selecione “Configurações” :
cadastre-se para o recurso “Compras”;
siga as etapas para enviar sua conta para análise;
para verificar seu status basta acessar “Compras” nas “Configurações”.
Minha loja foi aprovada. E agora?
Vamos habilitar o modo compras no seu perfil do Instagram:
Acesse seu perfil e toque em :
Toque em “Configurações”:
Toque em “Negócios”:
Toque em “Compras”. Observação: a opção de tocar em “Compras” só está disponível para contas aprovadas para o recurso Compras no Instagram:
Toque em “Continuar”:
Selecione um catálogo de produtos para conectar com sua conta comercial:
Toque em “Concluir”.
É oficial. Você tem uma loja no Instagram!
Vá na foto do produto e escolha a opção “Marcar produtos”.
A opção de marcação aparece em lugares diferentes:
posts no feed: o botão fica abaixo do conteúdo e da marcação de pessoas;
posts nos stories: a marcação de produtos fica dentro da aba de stickers.
Agora é só aproveitar a plataforma e fazer suas vendas!
O Marketing de Oportunidade é quando uma empresa trabalha um tema que está em alta em benefício próprio. Pode ser uma data comemorativa, uma celebração cultural, uma tendência ou até mesmo uma ação da concorrência para autopromoção.
A ideia é trazer a atenção dessa situação para um produto, serviço ou marca. Esse tipo de marketing é muito funcional (e aplaudido, quando bem feito), porque muitas vezes é mais barato: seja um repost ou mesmo uma resposta nos comentários de algum usuário, tem o potencial de aumentar o alcance, o engajamento e estreitar a relação da marca com o público.
Como usar o Marketing de Oportunidade
Antes de qualquer coisa é preciso conhecer seu público e acompanhar suas mudanças para entender o que é pertinente;
Estar atento ao que acontece no mundo, já que o Marketing de Oportunidade é momentâneo e as tendências passam tão rápido quanto aparecem. É importante saber usar o timing. Uma dica é acompanhar os Trending Topics do Twitter ou o Google Trends e estar antenado com os assuntos mais comentados do momento;
Acompanhar a concorrência: o que estão fazendo, sobre o que estão falando e como está sendo a resposta do público.
Claro que nem tudo são flores e tem alguns pontos onde é preciso ter muita atenção para usar esse tipo de oportunidade.
A internet não é terra de ninguém, por isso nada de usar imagens sem autorização ou tratar de forma inapropriada os temas. A quantidade de marcas que fizeram uso indevido da cantora Karol Conká vai render um bom número de processos, se ela assim quiser;
Nem tudo é oportunidade. Alguns assuntos são muito delicados para serem tratados de forma rasa ou simplesmente não tem relação com a sua persona. Recentemente, influenciadores foram criticados por utilizarem o tema sensível do cancelamento e da empatia como forma de promover marcas;
Tenha muito cuidado com a linguagem, pois na internet é muito fácil algo não soar como planejado ou ser mal interpretado;
Ana Maria Braga deu uma AULA de publi de oportunidade
Toda quarta-feira a apresentadora recebe o eliminado da semana, do Big Brother Brasil, no seu programa “Mais Você”. Na semana de eliminação da rapper Karol Conká, a internet começou uma brincadeira de que Ana Maria não iria para o trabalho para não realizar a entrevista.
Acontece que alguns perfis no Twitter alteraram o próprio nome para “Ana Maria Braga” e fizeram tweets fingindo ser a apresentadora, enganando (e engajando) vários usuários:
Aí surgiu a oportunidade. Para desmentir a situação, a apresentadora fez uma postagem robusta: além de esclarecer o ocorrido, ela ainda aproveitou para falar sobre o problema seríssimo das Fake News na atualidade e indicou o livro “1984”, de George Owell (que inclusive é a obra que inspirou o próprio programa Big Brother), e menciona que você pode ter acesso ao livro físico ou fazer a leitura online. Até aí, nenhuma surpresa.
Mas ao final desse conteúdo, Ana Maria entra com um publi (totalmente inesperado) divulgando um aplicativo de leitura online e ainda compartilha seu cupom de uso. K.O. Um exemplo de conteúdo de oportunidade bem feito, robusto, atual e coerente!
Na hora de criar seu conteúdo em cima de uma oportunidade, pense em como esse conteúdo pode se relacionar com você, sua marca e seu público, e não apenas em surfar na onda.
Lembra de algum outro case interessante? Conta aqui nos comentários!
Olá, aqui é a Julia, Community Manager na Mosaico!
Eu lembro de um reflexo da influência pelo qual eu passei, quando uma vez eu estava trabalhando em um hotel, e na recepção chegou uma criança e falou “Olha mãe, a Pabllo Vittar”.
Eu “não consegui não abraçar” ela muito. Claramente há um distanciamento enorme entre a Drag Queen e uma Travesti, mas a percepção de uma criança quanto a uma pessoa LGBTQIA+ em tom de admiração, já é algo gigante, não é mesmo?
O mundo corporativo não costuma ser o ambiente mais convidativo para pessoas Trans de maneira geral, como veremos a seguir neste texto. Ainda existem estigmas sociais a serem quebrados e a exclusão é massacrante. Já tive oportunidades muito boas de emprego. Muitas outras me foram negadas e limitações foram impostas durante esse período. Me encontrei e me perdi várias vezes nesses processos para chegar onde estou agora.
Trabalhar com o Marketing de Influência hoje em dia me mostra um caminho que pode ser um grande aliado na luta por direitos e visibilidade, na abertura e ampliação de debates que podem nos fazer chegar a um lugar mais igualitário.
Trabalhar com a Mosaico, contando com a diversidade em cada pessoa da equipe, parece uma experiência surreal a partir da lógica corporativa, e saber sobre o papel que estamos desempenhando e o potencial futuro que pode ter, é uma motivação maior.
Falando do ponto de intersecção entre o lado profissional e pessoal: você poder olhar para as pessoas com quem você trabalha e poder se sentir “pertencente” ao grupo deveria ser um direito garantido a todos.
Por esses e outros motivos, devemos levar sempre em consideração recortes em diversas esferas sociais. Principalmente entendendo o contexto e suas reivindicações.
Especificamente sobre a comunidade Trans – recorte que me corresponde – no mês de Janeiro, no dia 29, é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans e Travesti.
A data é importante para pessoas trans de todo o país. Importância essa que também deve ser abraçada e até celebrada por pessoas cisgêneras, pois tem o significado de reforçar a luta por respeito, garantia de direitos, igualdade (e equidade). E numa sociedade mais igualitária, todo mundo sai ganhando.
Vale lembrar que o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo, seguido por México e Estados Unidos.
Também é importante termos a proporção da população Travesti/Mulheres trans é abismal no mercado de trabalho, onde pesquisas apontam que 90% da população utiliza a prostituição como principal fonte de renda/trabalho e apenas 4% dentre as 10% têm registro em empregos formais.
Em um segundo ponto, pessoas trans têm grande relevância e suas diversas contribuições podem ser encontradas em áreas da arte, cultura e comportamento, que socialmente são consideradas marginalizadas, e por muitas vezes, são expropriadas em função de enquadramento nas normas impostas como sua influência na luta por igualdade de gênero, cultura, linguagem, literatura, política, entre outros.
Há uma grande pluralidade que deve ser celebrada em diversos âmbitos de influência habitados por pessoas Trans (e pretas), onde principalmente deveriam ser lembradas como protetoras ou formadoras de tais elementos culturais, por exemplo, o aclamado “Voguing” na dança e a cultura Ballroom.
No imaginário social conservador, ainda há alguns impedimentos, porém a população trans vem avançando, e quebrando estigmas e lugares antes impostos. Como apontado no documentário “Revelação” (Disclosure – 2020 – Netflix) – para falar de uma referência recente e “popularizada” – há uma forte influência da indústria cinematográfica, e tantas outras para a criação desse paradigma. Ou seja, ainda estamos em processo de quebra de paradigmas.
Com o avanço da utilização das redes sociais como forma de manifestação em prol da visibilidade, assim como com ações afirmativas e manifestações políticas, hoje podemos ter, em uma visão relativamente opaca, a possibilidade de celebrar a diversidade, sua completude e influência positiva que pode trazer.
Por quê influência?
Nos tempos anteriores à invenção da Internet, devido sua forte presença também nas artes, a comunidade Trans já era noticiada como parte da influência do mundo do entretenimento no Brasil e no Mundo – principalmente na “mídia alternativa” – como apontado pelos Museus que resgatam a memória da comunidade LGBTQIA+.
Nos primórdios da internet, era comum a presença de creators Trans em Blogs, Fotologs, comunidades do orkut e outras ferramentas mais antigas. Assim como funcionam as redes sociais atualmente, elas serviam como meios de comunicação entre a própria comunidade para o compartilhamento de informações relevantes e de apoio, como relatos de transições, fóruns sobre a liberdade de gênero e compartilhamento de lugares seguros, hoje essa narrativa avança, ajudando o deslocamento para o alcance e visibilidade além dos relatos de transição.
indicada ao Emmy Awards, em 2014, por conta de sua personagem Sophia Burset, no seriado Orange Is The New Black.
Ela possui 4,5 milhões de seguidores no Insta”; via Metrópoles;
Hoje estamos encontrando caminhos e realizando marcos importantes, como pessoas Trans ocupando a política, cinema, música e grandes prêmios de mídias também acessados pela população Cisgênera.
Como destacado acima, cada vez mais se evidenciam através influenciadores Transvestigêneres em redes sociais.
E mais, com a explosão de produções como “Pose”(Netflix, 2018), ou a nova série que conta a história da atriz e cantora Cristina Ortiz, “Veneno” (HBOMAX, 2020) e a quebra de narrativas trazida pelo filme “Alice Júnior” (Beija Flor Filmes, 2019), podemos encontrar sinais positivos sobre as novas influências nos caminhos de como se representa a história e vivência Trans.
“ – O filme “Alice Júnior”, lançado em 2019 e recentemente disponibilizado na Netflix, não só é um respiro para a comunidade transgênera, como também nos convida a mergulhar de verdade nas questões trans enquanto nos diverte….” Diz Jonas Maria.
Fruto desses trabalhos, é possível observar atrizes que protagonizaram os respectivos papéis, como Daniela Santiago e Anne Mota e sua notoriedade nas redes sociais.
Artistas e profissionais de diversas áreas compartilham informação e conteúdo através das redes sociais, utilizando-as, assim como pessoas cisgêneras, como vitrines para seus trabalhos, sua rotina e entretenimento.
Segundo matéria publicada pela BBC News asper Observatório da Uol, pessoas Trans estão mudando a Indústria da Propaganda no Brasil. A entrevista foi realizada com Lucca Najar e Thiessa Woinbackk.
@luccanajar (Youtube – 160k inscritos e pico de 390k de visualizações)
@Thiessita ( Youtube 770k inscritos e pico de 2,2mi de visualizações)
Essa influência e notoriedade pode ser considerada uma conquista enorme para a comunidade LGBTQIA+ de maneira geral, principalmente a Trans, pois é através desse “workflow” que sabemos que entram as marcas que ainda não trabalham com ações afirmativas, a voltarem suas atenções, e incluírem os creators em suas contratações.
O “prêmio dourado” no mundo da publicidade viria diretamente dessa relação com o Marketing de Influência, onde existe aí uma oportunidade para abrangência de convergência dessas narrativas e alocação de pessoas Trans em espaços “não comuns” anteriormente, por exemplo, em mídias tradicionais. Ou seja, não sermos obrigados a assistir tragédias forçadas sobre processos de transição em horário nobre.
Através do mesmo, pode-se encontrar a possibilidade de abranger a informação e colocar pessoas Trans como autoridades de assuntos plurais e diversos, espaços esses que anteriormente se diluíram no conservadorismo. O que é ressaltando – que é 10/10 também – é a capacidade de pessoas de atingirem lugares e audiências específicas com uma sensibilidade maior.
Agora que estamos alinhando nossos discursos, trouxemos aqui alguns pontos importantes com base em erros comuns de quando vamos falar de Influência.
Influência de pessoas trans/travestis com notoriedade.
Não se utilizar de influenciadores únicos para falar em nome de uma comunidade. É importante notar que cada influenciador tem um nicho específico e um público diferente, por mais que lutem pela mesma bandeira. Cada creator pode corresponder a um ou mais lugares dentro de sua representatividade, mas, é importante entender quando isso deve ser evitado.
É comum acompanharmos “denúncias” em redes sociais de creators que recebem convites para representarem lugares que não são seus. Por exemplo, personagens Drags sendo chamadas para representar/ falar em nome de pessoas trans.
Just don’t.
A partir disso precisamos:
Celebrar a pluralidade.
Existem pessoas Trans, possivelmente, em todas as áreas profissionais possíveis, como mostrado anteriormente. É importantíssimo dar voz e conciliar isso aos interesses de uma marca.
Contratações de pessoas trans apenas para falar sobre diversidade, não significa inclusão. É importante conhecer as demandas e o público de cada creator, não assumindo que serão exclusivamente LGBTQIA+;
E muito mais importante é:
Deixar de lado as contratações de pessoas trans apenas em datas específicas;
Profissionais LGBTQIA+ trabalham o ano inteiro, e, conforme dados da pesquisa, a maioria deles relata o aumento da busca de marcas apenas em datas como Parada LGBTQIA+.
Conte no seu calendário de ações e campanhas, as datas importantes para a Comunidade, mas não apenas. Isso é um dos elementos mais fortes, senão o próprio “Pink Money”, e às vezes nem money é, o que nos leva a pensar em:
Nem tudo é acordo de permuta (vulgo “Permuta não paga aluguel”) ;
Uma queixa constante de creators Trans/LGBTQIA+ é a relação de propostas de contratos versus acordos de permutas recebidos. Essa é uma cobrança cada vez mais frequente dos creators, e, se formos parar para pensar: Como poderia ser diferente, não é ? Além disso, valorizar o trabalho e o caché;
Ressignifique o sentido de equipe.
Uma equipe diversa e plural é capaz de discutir, abranger e criar mais, e com maior efetividade. Isso porque os questionamentos vêm de lados diferentes e vivências diferentes abordando o mesmo tema.
Na busca do Creator que mais se adequa a sua marca, isso não é diferente. Ter uma equipe diversa, pode possibilitar a marca a ter uma leitura mais ampla sobre o tema e o público e por isso, selecionar os creators que mais conversem com sua marca.
Recentemente, foi questionada essa relação entre ampliar a representação da diversidade nas marcas e o forte conservadorismo social, ou seja, boicotes a marcas que se posicionam.
Um dado interessante é que na campanha da Natura do Dia Dos Pais, com o @Thammy.Miranda, houve uma reação muito positiva do mercado financeiro à decisão.
Segundo o jornal “Estadão”, as ações ordinárias da Natura operaram em alta de 6,73% em 29/06. O Ibovespa subiu 1,44%. No dia 30, o valor das ações da Natura cresceu mais 3,36%, mesmo com ataques de Fake News e boicotes virtuais.
Empresas vêm cada vez mais investindo em trazer diversidade e novos olhares para suas equipes.
E agora que você sabe, o que fazer?
4 atitudes para serem tomadas a partir de agora:
Seguir perfis e creators trans;
Ficar por dentro de notícias e atualizações da comunidade Trans em geral, conquistas, lutas e contextos;
Buscar ser aliada e observar a quantidade de pessoas trans em ambientes onde frequenta.
Se não há ninguém, questione-se o por quê.
Indicar creators nos comentários.Compartilhe esse post para que mais pessoas vejam!
São atitudes breves, que demandam pouco tempo. A partir daí, com certeza você verá cada vez ações maiores que podem ajudar a mudar a realidade de muitas pessoas ao seu redor. Vamos juntos?
No final do nosso formulário de pesquisa, deixamos um espaço em aberto para que o criador de conteúdo pudesse deixar um recado para as marcas. Hoje, a missão da Mosaico é publicar esses feedbacks, que são conselhos importantes para quem ainda tem algum receio em investir e se posicionar a favor de lésbicas, gays, trans, bis, queers, interssexuais, assexuais, panssexuias e etc. Eles merecem e têm direito a ter voz ativa, e você não pode deixar de ouvi-los e pegar esses conselhos para criar uma super estratégia cheia de diversidade para sua empresa.
Conselho 1: Influência é um trabalho e merece remuneração real
“As marcas e as agências precisam lembrar que a gente existe além de junho e precisam lembrar também que a gente tem boletos, porque tem várias marcas que querem que a gente faça coisas de graça ou pagando super pouco em nome da visibilidade da causa. Visibilidade sem pagar não me interessa porque não gera inclusão. Eu só vou estar em pé de igualdade com as pessoas héteros-cis quando meu trabalho for tão valorizado quanto o deles” (opinião de creator transgênero/pansexual)
Esse comentário é muito importante pois mostra que não é apenas dando espaço em uma campanha para integrantes do movimento LGBTQIA+ que uma marca se mostra aberta à diversidade. É preciso que todos os tratamentos sejam igualitários, principalmente aqueles que envolvem remuneração pelo esforço envolvido por parte do creator. A pesquisa da Mosaico mapeou quanto o trabalho de influência auxilia na renda de cada creator e pode entender que a valorização que o creator busca é aquela onde ele é pago por exercer o seu trabalho, algo que vai muito além da distribuição de mimos ou recebidos em troca de posts, prática muito frequente na maioria das empresas, que buscam menções em troca de alguns produtos, sem realizar um alinhamento de trabalho remunerado.
Conselho 2: Ampliar o calendário e praticar a inclusão nos 365 dias do ano
“Fazer publi e falar da pauta (LGBTQIA+) só na época do ano que todos falam é fácil. Importante é fazer esse trabalho de forma constante, apoiando a médio e longo prazo o criador do segmento. Especialmente se tratando de saúde mental, pois o criador de conteúdo ter um patrocinador fixo significa ter mais segurança e a imagem da marca é trabalhada no longo prazo. ” (opinião de creator bissexual) “Incluir influenciadores que fazem parte desse meio em diversas campanhas durante o ano, não apenas no mês do orgulho LGBTQIA+” (opinião de creator bissexual)
“Fazer mais ações ligadas ao público LGBTQIA+ mesmo fora das datas focadas nesse público. Trazer a normalidade e representatividade real da nossa comunidade para o mercado publicitário, defendendo nossa causa durante todo o ano. ” (opinião de creator bissexual)
Nas lives realizadas pela Mosaico durante o mês de celebração ao orgulho LGBTQIA+, muitos dos nossos convidados também relataram a necessidade de ver marcas trabalhando a diversidade durante outras datas comemorativas ao decorrer do ano. A comunidade também possui ou são mães, pais, filhos, possuem famílias e querem engajar e comemorar esses dias especiais como qualquer outro influenciador que é convidado para campanhas nos outros meses do ano. A representatividade não está somente dentro da construção de narrativas em cima de uma sigla específica. Ela vai além, Uma marca não precisa somente praticar uma discurso literal. Ao contratar e incluir as ações na sua comunicação membros do movimento, indo além dos estereótipos e exposição da sexualidade, a marca já estará abrindo as portas para a diversidade. Os criadores de conteúdo falam sobre diversos temas, não é só o discurso da comunidade.
Conselho 3: Abrir espaço para corpos gordos e pretos
“Importante, além da diversidade de letras, pensar na diversidade de corpos! Pessoas gordas, inclusive” (opinião de creator bissexual)
A pluralidade de uma campanha começa quando conseguimos estourar a bolha do comum. É ir além da família feliz na propaganda de margarina, do casal feliz, magro e hétero se beijando na campanha de dia dos namorados. Da festa de natal rodeada de pessoas brancas. É preciso incluir corpos gordos, pretos, indígenas, pessoas com deficiência e naturalizar as suas existências, pois parte dele são a maioria do público consumidor ativo no Brasil e precisam começar a se enxergar em ações de marketing das marcas.
Gostou das dicas que os criadores de conteúdo passaram? Qual delas a sua empresa precisa ainda incorporar na comunicação? Navegue pelo nosso blog e descubra outros insights para trazer ainda mais pluralidade e diversidade para sua marca.
Pesquisa supervisionada e também integrante do projeto de pesquisa da Profa. Dra. Yhevelin Guerin, vinculada à Universidade de Santa Cruz do Sul e intitulada “Influenciadores digitais, empoderamento social e posicionamento de marca.
Estar dentro de realities shows podem ser o sonho de muita gente, contudo, poucos entendem o impacto de estar em evidência na mídia, principalmente se você fizer parte do universo LGBTQIA+, e pertencer a siglas não muito conhecidas dentro do movimento. No Mosaico de Conversas que fecha nossa maratona em homenagem ao mês do orgulho LGBT, tivemos o prazer de receber os influenciadores digitais Victor Hugo e Raphael Dumaresq. Siga lendo e confira como foi nossa conversa.
Queer: Entenda o significado da sigla com Dumaresq. O significado da expressão Queer está em mutação e em busca de um futuro cheio de representatividade, já que no passado o seu uso era feito de forma pejorativa, como se fosse uma maneira de chamar outra pessoa de “esquisita” ou “estranha”. Adotado e ressignificado pela comunidade LGBTQIA+, o termo Queer ganhou espaço e um leque muito grande de significados. Pode se encaixar dentro da expressão, pessoas que, por exemplo:
Não seja heterossexual, nem se sinta representado pelas outras siglas;
Trabalhe com expressão política, ajudando ou sendo ONGS e grupos ativistas;
Pessoas que fogem de normativas e não se encaixam em padrões vigentes;
Se sentir abraçado pelo conceito livre da frase “ser o que quiser”.
Basicamente, ser Queer é pertencer a comunidade mas sem priorizar uma letra ao invés de outra. Nosso super entrevistado, Raphael Dumaresq, ex-participante do reality The Circle Brasil, afirma que “O conceito Queer é você se auto reconhecer, é você se auto representar e respeitar que você é quem você é, o indivíduo que você é”. O influenciador digital também complementa ao explicar que em teoria, o termo Queer fala muito sobre gostos bem particulares, de jeitos de ser e agir muito individuais e únicos, que não precisam seguir padrões heteronormativos. Em resumo, ele explica: “Não precisa seguir padrões ou se encaixar, o queer é muito fluído mesmo, ele vai e ele é. É mais sobre o que ele é.”, relata.
Uma pessoa Queer não precisa se identificar como tal, basta sentir-se daquela forma. Essa questão vai muito além da identidade de gênero e orientação sexual, e abre um espaço bem importante para o autoconhecimento. Dumaresq, que também é produtor cultural, DJ, performer e colunista, falou sobre a procura por entender quem somos: “a primeira angústia da vida é “Eu não sei o que eu sou” a gente começa a procurar sabendo o que a gente quer ser, aí vem a questão da profissão, a questão do relacionamento, vem diversas questões. Até que ponto a pergunta “Quem você é? “ou a resposta de “Quem eu sou?”, é necessária para a gente ser, apenas ser, sabe?”, afirma o produtor natural de Natal, Rio Grande do Norte.
Precisamos normalizar a assexualização: com a voz, Victor Hugo Em um país hipersexualizado como o Brasil, ser assexual é sofrer o dobro de preconceito. Entender que é possível amar sem sentir prazer sexual, desejar um corpo ou mandar um famoso “nudes” pode ser visto como uma coisa anormal. Essa questão faz com que certas pessoas preconceituosas considerem os representantes dessa sigla pessoas doentes – o que nos leva a anos e anos de recessão quando o assunto é representatividade da comunidade LGBTQIA+.
Victor Hugo, roteirista, psicólogo e ex-participante do BBB 20 soltou o verbo e contou na nossa conversa o que é ter uma personalidade assexual e também como ele sofreu os impactos de assumir quem era dentro da casa mais vigiada do Brasil.
O influenciador conta os pontos positivos de ser assexual. “Significa que você é uma pessoa muito desenrolada, que você é uma pessoa muito feliz, muito alegre sozinha, mas não necessariamente que você passará a vida inteira sozinha. Você também pode encontrar um grande amor e ser muito feliz junto, então é muito legal.”, relata Victor que também aborda que, sobre ser assexual, a única coisa negativa é o preconceito e a falta de entendimento da maior parte das pessoas que o amor pode não estar baseado no sexo.
Ser assexual, então, é não (ou ter muito pouca) atração sexual. Nosso super ex-BBB, simpático e cheio de energia, Victor Hugo conta que infelizmente, mesmo dentro do movimento, o orgulho ACE (como os assexuais costumam se identificar) é algo muito solitário, já que dentro da comunidade ainda existe certa estranheza devido a sua orientação.
O criador de conteúdo relata “Enquanto todo mundo festeja, o quanto é legal viver a liberdade de ser quem é, quando chega a data do Orgulho LGBT, a gente se sente muito mais triste, porque a gente ainda não consegue comemorar. Muitas vezes as próprias pessoas da comunidade LGBT achavam que eu era gay, que eu era enrustido e que eu não queria dizer que eu era gay dentro da casa, por ter achado que eu tinha me apaixonado.”. Victor Hugo fala que por conta da falta de entendimento ou dos haters, sentiu-se prejudicado dentro do reality por ter demonstrado sua orientação. “O discurso do assexual é sempre visto como uma mentira e não é só comigo que aconteceu. As pessoas me olhavam lá na casa e falavam ‘Mentira, isso não é verdade. Ele é falso’”, desabafa.
Um novo universo: a criação de conteúdo como um trabalho
Agora, influenciadores digitais, Dumaresq e Victor Hugo estão em busca de oportunidades para darem mais voz às suas siglas e também para aproveitarem a chance que ganharam com tanta visibilidade graças aos realities The Circle Brasil e Big Brother Brasil. Com a pandemia do corona vírus, eles sentem falta do calor humano que o reconhecimento poderia oferecer: como abraços, um maior contato com seus seguidores e muito amor espalhado.
Já super ciente dos desejos e do comportamento do seu público, Dumaresq conta como está sendo a aproximação das marcas com ele: “Tem muita marca chegando para mim porque elas me querem mesmo, ‘Dumaresq eu gosto do seu perfil. Eu gosto de tudo o que você fala, pra quem você fala. Eu acho que a nossa marca tem tudo a ver com você’. Eu gosto de fazer trabalhos assim, principalmente quando a marca tem tudo a ver. Não adianta eu chegar aqui e vender pros meus seguidores uma chuteira de futebol, ”Gente eu trouxe pra vocês uma chuteira de futebol, maravilhosa que vocês vão amar”, o povo vai ficar assim, “Oi? Futebol?”, eu nem jogo futebol.”, conta para o Mosaico de Conversas.
Contudo, Victor Hugo já relata que não recebe tantas propostas e tenta restringir também os convites a área de saúde – sua especialidade – e agora ao segmento de moda, espaço em que está se descobrindo. Quanto a abordagem, o influenciador digital conta que “Em geral, não recebo tantas propostas de publis de produtos. O que mais acontece em relação a marcas é me chamarem para conversar sobre um assunto, pra falar sobre alguma coisa do tipo.” menciona.
Ambos possuem muitos planos pós-pandemia para abraçar e estão super abertos a troca de ideias e criação de networkings.
Momento bate-bola com os entrevistados
A gente amaaaaaaaaa muito os momentos bate-bola do Mosaico de Conversas. Essa é a hora onde o influenciador deve responder rapidamente, com a primeira palavra que lhe vem à mente. Dumaresq e Victor deram ótimas respostas e você pode conferir as principais logo abaixo.
Mosaico: Close é? Raphael Damaresq: Close é o estágio do corre que fez sucesso, porque toda vez que você tá vendo o nosso close, a gente fez um corre pra chegar ali. Quando aquela bicha gata fizer um corre muito babadeiro, o close é o estágio mais brilhante e glorioso do corre.
Mosaico: Influenciar, é? Raphael Damaresq: Influenciar é política, é você trazer pessoas para perto de um pensamento que você acredita. Por isso que é tão perigoso ser influenciador e é tão perigoso pra que influenciador a gente vai dar ouvidos. Preste atenção, minha gente, pelo amor de Deus.
Mosaico: E ser viado nordestino no Brasil é? Raphael Damaresq: Ser viado nordestino no Brasil, é você saber que não vai ser fácil mesmo, são poucas as que conseguem ser 100% quem é, ou ser 100% aquilo que a vida preparou pra ela, sabe, isso me dói muito, muito mesmo. Ser viado nordestino é ser forte, forte mesmo, forte pra caralho, muito forte, muito afrontosa, afrontosa mesmo. São vivências básicas para sobreviver.
Mosaico: Ser assexual no Brasil é? Victor Hugo: Um porre (risos). É você ter certeza que vai ter que passar dez minutos explicando vários detalhes e tirando dúvidas das pessoas, mas tá tudo bem, faz parte. É uma luta, é uma luta que a gente constrói todos os dias.
Mosaico: Eu tenho orgulho de? Victor Hugo: De não ter me calado. Muita gente falou assim “Victor, não fala que você é assexual”. Quase todo mundo me disse isso. Isso vai te prejudicar muito no jogo. Então talvez se eu tivesse ficado calado, eu seria o gay da edição. Mas enfim, entrei com muito orgulho de ser quem eu sou e não me calar.
Mosaico: Sexo é?
Victor Hugo: Escolha.
O que é o Mosaico de Conversas?
O Mosaico de Conversas é um conteúdo editorial exclusivo da agência Mosaico. A proposta é criar um bate-papo com influenciadores digitais, especialistas e profissionais do mercado de comunicação, com ênfase em marketing de influência.
Nossos bate-papos exclusivos para o mês do orgulho LGBTQIA+ chegaram ao fim nesse ano, contudo, a representatividade segue todos os dias nas nossas redes sociais. Você pode conferir na íntegra nosso super bate-papo com Raphael e Victor Hugo acessando esse link, além, é claro, de poder prestigiar todos que já passaram pelo Mosaico de Conversas. Deixe seu comentário e conta para a gente o que você achou desses conteúdos.
Influenciadores digitais tem o potencial de inspirar muitas pessoas. Contudo, nesse bate-papo que tivemos através do Mosaico de Conversa fomos mais do que inspirados, e sim, educados por Bielo Pereira e Tarso Brant. Ouvimos sobre representatividade, entendemos o significado de bigênere e intersexo, além de também falarmos sobre marketing de influência envolvendo criadores de conteúdo transgêneros. Siga lendo e fique por dentro de tudo que rolou. E se quiser acompanhar na íntegra o vídeo completo, acesse o IGTV da Mosaico.
Bielo Pereira: gorde, ativista, prete, interssex e depois da live, professore
Se só de ouvir a Bielo a gente já se sente energizado positivamente, imagina poder bater um papo com essa militante, dona e representante da sensatez? Saímos renovados da conversa, e tivemos o prazer de ouvir uma super explicação vinda da criadora de conteúdo sobre o significado de intersexo e transgeneridade, que aliás, é essencial você saber. Então, fica atento nas próximas palavras deste artigo.
“A pessoa interssex não é só essa pessoa que nasceu com as duas gônadas. É também a pessoa que tem o desenvolvimento do corpo (…) digamos assim, híbrido. O que é mais uma comprovação (…) que o gênero é um ideal que a gente cria né.”, explica a creator e também apresentadora do Coisa Boa Para Você, do GNT.
Bielo também explica que a sexualidade não é auto designada, e sim, uma condição pré-existente dentro de cada um de nós. Ouvir a influenciadora é um convite para entendermos melhor quem somos de verdade e avaliar a forma como nos apresentamos ao mundo, afinal, todos estamos livres para ser quem quisermos ser.
A creator seguiu o bate-papo e foi fundo na sua explicação sobre o que é transsexualidade, para não deixar nenhuma dúvida. Ela diz que todo o conflito começa na hora de precisar se auto designar. “Isso normalmente acontece na adolescência, mas pode ser antes ou depois. A pessoa começa a ver que ela não faz parte daquele gênero que a família escolheu, que a família pré designou.” explica a influenciadora digital.
Ao falar sobre as suas escolhas, Bielo conta “Eu me considero dos dois, eu sou uma pessoa bigênero, eu sou uma pessoa que é homem e mulher o tempo todo, independente da imagem social que eu esteja aparentando.”, relata enquanto nós, aprendemos e batemos palma. <3
O mês do orgulho LGBTQIA+ vai muito além da Parada LGBT
O mês do orgulho é conhecido e ganhou notoriedade com o avanço e disseminação de Paradas LGBTs em todo o país, sendo a maior delas realizada em São Paulo, capital. Muitas marcas colocavam seus esforços de marketing dentro desse evento para se mostrarem abertas à diversidade. Contudo, estar de portas abertas vai muito além disso. Para ser uma marca livre de preconceitos contra o movimento LGBTQIA+, é preciso criar um relacionamento perene com os integrantes da sigla, incluindo-os em campanhas durante todo o ano.
“Eu não vejo pessoas intersexuais fazendo campanhas, mesmo em junho, eu não vejo esse lado sendo representado. Muitas marcas vem falar comigo pela questão de eu ser uma pessoa trans, então eles falam comigo muito mais por conta disso, porque eles entendem melhor a coisa da transexualidade, mesmo eu falando que eu sou bigênere e interssex”, explica Bielo.
Junto do nosso bate-papo, estava o modelo e influenciador, Tarso Brant que tem uma super história para contar sobre a sua transição e processo de descobrimento. Ao questionado sobre um recado que passaria para as marcas que ainda tem receio de trabalhar com transsexuais, Tarso Brant foi bem assertivo. “Elas estão perdendo tanto comercialmente, quanto em questão do conceito mesmo. Que o conceito do transgênero é algo que traz uma transgressão de barreiras, traz uma mudança implícita dentro de cada pessoa. Então a representatividade que um transgênero tem dentro de uma marca, ela não se compara com a de qualquer outra pessoa. A sensação de um transgênero na vida é única, eu tive a oportunidade, o prazer e a honra de viver duas existências em uma só vida. Quero utilizar do meu conhecimento para ajudar as pessoas da forma como eu não fui ajudado no início.”, desabafa o influenciador digital, que também é ator e modelo.
Profissão: Influenciadores digitais. Porque essa escolha?
Não se nasce influenciador digital, torna-se. Assim como muitas outras escolhas em suas vidas, Tarso e Bielo optaram por abrir suas redes sociais para falar sobre suas transformações, militando e ajudando outras pessoas semelhantes a eles.
Tarso conta que o começo de tudo para ele foi natural e cresceu de forma tão orgânica que o fez questionar sobre suas responsabilidades ao falar sobre qualquer assunto com mais cuidado. “Eu estava no meu processo de me entender, de compreensão comigo mesmo e quando eu percebi que o que eu falava afetava uma sociedade toda, eu falei caramba, calma, como é que eu vou utilizar isso tanto a meu favor quanto para algumas pessoas que estão aqui se inspirando em mim. “, relata.
O influenciador conta que falava sobre assuntos pessoais, até que viu seu crescimento nas redes e – com uma maturidade já desenvolvida – optou por desenvolver conteúdos que fossem além da sua rotina e sim, que pudessem ajudar outras pessoas. Fazendo a criação de posts mais direcionados e pensados para os seus seguidores.
Conversando sobre os formatos e as redes sociais favoritas, Bielo conta que adora o Instagram e de lá não sai tão cedo. “No meu coração é a minha preferida, por onde eu comecei, por onde eu acho que eu ainda vou ficar um bom tempo, e eu gosto muito de produzir foto, que está morrendo infelizmente. Quero começar a produzir mais vídeos pro feed, porque a gente sabe que o que mais performa agora é vídeo. Gosto muito de produzir foto para o feed, e stories pra mim é vida.”, relata cheia de energia.
Bate-bola com Mosaico
Em todos os nossos Mosaicos de Conversas, temos um momento especial onde os influenciadores são questionados sobre algo e precisam responder com a primeira coisa que lhes vem na cabeça. Separamos as melhores respostas de Bielo e Tarso para você conferir.
Mosaico: Militar é…? Bielo: Militar é ter o direito de viver. Militar é viver com alegria sendo quem você é, estando fora dos padrões em que a sociedade olha e fala: você não merece viver e ser feliz. Militar é ser feliz.
Mosaico: Eu quebro o tabu quando? Bielo: Quando coloco essa cara preta, gorda, trans e intersex na rua. E o que? Belíssima, meu amor.
Mosaico: E o recado para as marcas? Bielo: Marcas, seguinte: a gente existe, a gente consome. E uma máxima que a gente já aprendeu é que se não tem pra uma – porque a sigla é LGBTQIA+. Se só tem para gays, só tem para as lésbicas, se só tem pra intersex, se não tem pra uma de nós, não tem pra todas. Então a gente vai parar de consumir vocês. PAREM, PENSEM E REPENSEM. Vamos trazer diversidade e inclusão sim, genuinamente vamos trazer a galera da sigla para conversar e discutir a produção dessa campanha.
Mosaico: Empoderar é?
Tarso: Ter a consciência do que você é.
Mosaico: uma marca que você admira o trabalho dela com marketing de influência? Tarso: Spotify. Modéstia à parte, eu sou embaixador do Spotify. Eles agregaram várias idéias diferentes dentro desse time de embaixadores. A gente teve uma reunião, e a ideia da marca, a forma como eles estão passando tanto conteúdo, quanto a sensação de estar bem através do que a música te inspira, e essa diversidade toda de som, cultura, gostos, gêneros, raças, tudo junto e misturado. Acho que isso causa algo dentro da gente, é diferente e está sendo foda essa experiência.
Mosaico: E o recado para as marcas? Tarso: Então, qualquer marca, seja comercial, qualquer produto que eu faço, eu levo tudo isso comigo. Eu levo esse recado comigo. O que as pessoas precisam receber? Verdade. Então qualquer marca que escolha uma ilusão ao invés de uma verdade, ela estará vendendo um produto que não é coerente, ela está querendo só vender, ela não está levando um propósito. Geralmente o que a gente não leva propósito, o que a gente não leva amor junto, não funciona, simplesmente acaba.
Gostou do bate-papo? A gente por aqui adorou e quer ouvir sua opinião. Além de falar sobre o Tarso e a Bielo, comente aqui embaixo quem você gostaria de assistir em um Mosaico de Conversas.
A campanha de Dia dos Pais de 2020 da Natura trouxe à tona um debate muito importante: o que torna uma pessoa, um pai de verdade? Convidado para participar da ação, Thammy Miranda, influenciador, disruptivo, transgênero, quebrador de padrões e pai foi alvo de ataques nas redes minutos depois colocar no ar o seu publieditorial. Em pouco tempo, a campanha virou assunto principal em todas as mídia e dividiu opiniões entre haters e lovers da marca.
Recentemente, a pesquisa realizada pela agência Mosaico, que buscou mapear dados de creators LGBTQIA+, mostrou que o Dia dos Pais é uma das datas comemorativas onde empresas entravam menos em contato com a comunidade para realizar campanhas – apenas 0,6% dos respondentes já tinham sido chamados para trabalhos na data. Sendo minoria, indo na contramão e vestindo a camisa da diversidade, mesmo com tantos ataques negativos, as ações da Natura dispararam, operando em alta durante todo o dia 29 de julho. O que prova que o case de sucesso é real, e apesar dos comentários negativos existirem, o posicionamento da empresa só trouxe resultados mercadológicos e conceituais positivos.
A cultura do cancelamento e a tentativa de boicote Em um país onde a cultura do cancelamento tem ganhado tanto espaço, não é surpresa que a ameaça de boicote à marca surgisse assim que ela se posicionasse a favor de Thammy Miranda ilustrar a campanha de Dia dos Pais. Mensagens de ódio foram destinados tanto a marca, quanto a família do influenciador, negando o fato do transgênero ser pai. Logo a discussão sobre o que é ser pai estava posta, e infelizmente, muitas pessoas erroneamente seguiam conectando a paternidade à genética masculina e não, ao amor incondicional que essa posição deveria inspirar.
Figuras públicas como o pastor Silas Malafaia e o vereador Alexandre Isquierdo usaram suas redes sociais para espalhar ódio e criar campanhas de tentativa de cancelamento a Natura.
Muitos usuários manifestaram apoio, contudo, não foram fortes o bastante para apagar o brilho, a importância emocional e representatividade que a campanha da marca trouxe. As mesmas figuras que se posicionaram contra a Natura nesse caso, tem um longo histórico de envolvimento em escândalos, sejam eles políticos ou religiosos.
O apoio de outros influenciadores e o impacto positivo Em contrapartida, muitos usuários se mostraram a favor da marca e não economizaram posts para parabenizar a atitude da Natura em mostrar que pai de verdade, é aquele que ama e dá amor ao seu filho. Em resposta, a marca menciona que “a presença é o maior presente” e quem ganha com esse posicionamento é a sociedade toda. Afinal, segundo levantamento da Universidade de São Paulo, o índice de abandono paterno (onde pais biológicos abandonam seus filhos) chega a atingir 5,5 milhões de brasileiros – que não possuem o registro paternal nas suas certidões de nascimento.
Uma corrente de apoio e de amor foi criada automaticamente nas redes e envolveu influenciadores digitais como Felipe Neto, Whindersson Nunes e Bruno Gagliasso.
Muitas mensagens positivas foram criadas, mostrando respeito ao pai Thammy Miranda e à Natura, potencializando a figura da marca diante do seu público e de todo o mercado financeiro.
A importância do posicionamento de uma marca Toda essa movimentação é um exemplo de sucesso da importância do posicionamento de uma marca. Afinal, a Natura vestiu a camisa da diversidade e levantou bandeiras do que realmente acredita, praticamente, colocando a cara à tapa e ficando exposta a cancelamentos.
A campanha teve um grande impacto positivo na sociedade, trouxe à tona uma pauta importante e ainda por cima, ajudou a Natura a bater recordes de procura no Google e aumentou suas ações, já que o posicionamento da marca foi bem visto pelo mercado internacional e nacional. Afinal, a campanha está conforme às práticas do critério que guia investimentos com foco em sustentabilidade e sociedade, o ESG – Environmental, Social and Governance (em português, Ambiental, Social e Governança). Segundo o Estadão, “terminaram o pregão com avanço de 6,73%, o maior do Ibovespa, enquanto o principal índice do mercado brasileiro subiu 1,44%.”.
(gráfico que ilustra a curva de crescimento da Natura no mercado de ações)
(gráfico que ilustra a curva de crescimento da Natura no google)
Este exemplo de case mostra a importância do posicionamento das marcas diante de bandeiras como a da comunidade LGBTQIA+. Além disso, mostra a importância da análise de público-alvo, já que a Natura visualizou que seu público iria apoiar tal campanha – o que justifica o aumento de vendas da marca. Os haters não eram seus consumidores, logo, todo o cancelamento virtual realizado por eles não teriam impacto verdadeiro nos lucros da empresa. A ação foi planejada, estudada e abriu espaço para que outras marcas peguem como exemplo esta ativação para abrirem espaço a outros influenciadores transsexuais e outros membros das siglas do movimento LGBTQIA+ ilustrarem campanhas com poder de impacto nacional.
Gostou do artigo? Conte nos comentários como essa campanha impactou você. Vamos adorar ouvir sua opinião – não o seu hater ok? <3